O cocker spaniel é um cão de companhia, meiguinho e bom de ter por casa. Não suja as varandas, nem mija as alcatifas e é de boa boca. Come de todo o tipo de ração, e há quem diga que se formos de férias uma semana um cocker spaniel aguenta sozinho em casa sem fazer grandes estragos. Não é preciso dar-lhe banho porque não cheira mal, a não ser que apanhe chuva e lama. Se for ensinado faz xixi nos jornais e não numa das colunas do sistema surround, dá qualquer pata e só morde a pessoas estranhas. É uma raça que não tem cio o que permite passeá-lo à noite. Esta é uma raça muito especial que gosta do ar livre e assim. Um vizinho meu teve um cocker spaniel durante catorze anos a viver numa varanda de pedra que lá tinha. No dia em que o trouxe à rua pela primeira vez, o meu vizinho diz que o cão teve um ataque cardíaco e morreu. O meu vizinho diz ter a certeza que era um ataque cardíaco porque ele também já tinha tido um.
Uma vez ouvi dizer que o dono de um cocker spaniel só dava bifes crus com pólvora ao cão para ele ficar obediente. Um dia o homem andava a passear o cão pela cidade e parou num senhor que estava a assar castanhas. De repente o cão explodiu e rebentou com as pernas do dono.
Mas eu não sei se acredito nisto.
Se eu fosse um cão gostava de ser um cocker spaniel ou então outro qualquer, desde que tivesse o céu-da-boca preto.
A minha casa está sempre em obras porque às vezes chove nos quartos, na sala, na cozinha, numa das casas de banho e no ale de entrada. Chamámos um especialista cá a casa e passado um mês e quinze dias, ele descobriu que era por estarem as janelas todas abertas.
O meu quarto é muito pequeno e para passar entre a cama e a parede tenho de me encostar à parede porque o quarto é pequeno. Quando trago roupa suja ou as sapatilhas velhas e me encosto à parede, a parede fica toda suja. Eu acho que não sou só eu porque o meu avô tem manchas iguais nas calças. Por ser pequeno o meu quarto tem de ser pintado muitas vezes, e está a ficar cada vez mais pequeno por causa das camadas de tinta. Há uma estante que não era embutida e que agora é embutida, e o candeeiro já me roça na cabeça. Uma vez eu quis à força dormir no meu quarto acabado de pintar, disse que os cheiros não me incomodavam nem nada, mas depois no dia a seguir acordei a sangrar do nariz e de um braço e o meu pai desconfia que eu já não posso ter filhos.
Aproveito agora este texto para contar a minha piada favorita de sempre. E a minha família ri-se sempre que a conto e eu também me rio quase sempre e os meus amigos também.
Estava um homem a alcatifar a casa de um amigo e quando acaba o trabalho repara que deixou o maço de tabaco debaixo da alcatifa. Pega num martelo e manda pancadas até o alto da alcatifa desaparecer. Vem o amigo ter com ele com o maço de tabaco na mão e pergunta se não viu o hamster dele.
Eu gosto de alcatifas e gosto de as sentir debaixo dos pés, mesmo quando ando de pantufas e botas da neve. Um dia hei-de ter uma divisão toda alcatifada para poder dormir em qualquer lado e poder jogar ping pong descalço porque se jogar descalço em tábua rasa os pés resvalam e patinam, o que pode ser perigoso. O que deve ser giro é uma sanita toda alcatifada para não ter frio no inverno e se entalar as partes baixas no tampo ao menos não deixa negra. Outra coisa boa é que não precisava de piaçá.
O que eu mais gosto nas obras é que há sempre minis lá em casa e a minha mãe faz sempre almoços vistosos. Mesmo que os trolhas não comam, vêem só, comentam entre eles a mesa cheia e não ficam com a impressão que somos alguns pelintras.
O pessoal a meter telhas
Como prometido deixo aqui mais uma página do diário do meu avô Micael.
Se não colocar estas páginas com mais frequência é porque o meu avô passa muito tempo na cama e não posso levantar o colchão, ou então ele mudou o esconderijo do diário.
E era isto.
Antes de mais quero agradecer ao Rui Piquenique por ter comprado a caneta de 20 cores, e por dizer que ela é espectacular e ter mandado mais 20 euros num envelope fechado por achar que 30 euros era pouco. É só para verem que eu não engano ninguém.
Este xilofone até me custa estar a vendê-lo mas eu sei que algures alguém precisa mais dele que eu. Como podem ver pela foto ainda tem todos os ferros e na escala original de cores como vinha de fábrica (vermelho, amarelo, azul céu, laranja, verde, rosa e azul céu nublado, e depois repete mas com ferrinhos mais pequenos). Ainda tem a baqueta original mas está um bocado mais pequena porque o meu primo quando vinha a minha casa e não tomava pequeno almoço metia tudo à boca.
O meu pai quando ouve este xilofone a tocar diz que parece música clássica ao vivo e diz que relaxa muito. Já a minha mãe e o resto da família também dizem o mesmo.
Eu apenas peço
Ao primeiro que disser que quer comprar o xilofone ainda lhe ofereço a caixa onde ele vem.
Eu gosto muito de futebol mas não percebo bem algumas coisas. Eu vou muitas vezes aos estádios fazer desporto e às vezes jogar também. Uma vez fui ao relvado de Alvaiázere mas foi para participar num torneio de karaté que nem ganhei nem nada. Era pequeno mas lembro-me que não queria ir com o kimono vestido de casa, por isso levei numa mochila para depois me vestir dentro do carro quando lá chegasse. O problema é que a minha mãe se esqueceu de guardar a parte de cima do kimono e quando cheguei ao torneio tive de fazer katares com o casaco de ganga vestido. Deve ter sido por isso que não ganhei o torneio porque eles nessas coisas são muito picuinhas. O meu cinturão favorito era o amarelo porque ficava a condizer com umas meias que eu tinha que já estavam meias amarelas, e o sensei (professor) dizia sempre que eu parecia um ovo estrelado mas com uma gema muito fininha. Nunca cheguei ao cinturão laranja porque estava quase sempre doente quando eram os exames, mas toda a gente dizia que eu devia ser cinturão preto com muitos dans ou laranja simples. O meu pai farta-se de ganhar bilhetes para o futebol mas como os jogos são em Lisboa nunca vai e depois fica o jogo inteiro a ver se consegue ver na televisão o lugar dele vazio ou se alguém o ocupou. Eu gosto de ir ao estádio ver futebol porque posso dizer asneiras e o meu pai ainda me paga um hambúrguer ou às vezes quando não há, vem uma bifana ou um pacote de batatas fritas. O meu avô uma vez arranjou uma grande confusão no estádio porque ele pediu umas ruffles de presunto, mas quando abriu o saco só vinham lá as batatas e ele tinha trazido dois pães chapata de propósito para comer com presunto no intervalo. Eu ainda lhe tentei explicar, mas ele sentiu-se enganado e exigiu dez fatias de presunto na hora. Eles não tinham lá presunto mas deram-lhe dez fatias de fiambre e ele nem notou nada. Da última que fomos todos juntos ver o futebol, foi um Leiria-Nacional mas que eu não me lembro quanto ficou. Mas penso que o Leiria ganhou ou perdeu. O meu pai disse para deixar os valores todos em casa por causa da confusão, e eu deixei os óculos para não mos partirem e depois cheguei lá e não vi nada e nem me apercebi se havia confusão ou não. Houve uma vez que aconteceu uma coisa e eu nunca percebi. Há aqueles velhos, e o meu avô é um desses, que vai para o café ouvir o relato pelo rádio e depois grita golo antes de toda a gente. Mas uma vez no estádio do Leiria estava um velho à minha frente a ouvir o relato no rádio e também gritou golo uns vinte segundos antes. Adoro estádios, só não gosto das lesões.
Caros amigos e especialmente amigas,
É com enorme orgulho que vos comunico que este mês e após muita insistência lá aceitei o convite para aparecer numa revista de adultos.
Na página 32 da nova FHM podem encontrar a minha cabeça e algumas das frases que mais sucesso têm feito entre as gajas. Estou seguro que a partir deste momento é que vocês vão ficar todas doidinhas, até já recebi duas mensagens eróticas no facebook e estão neste momento a ligar-me de um número privado mas eu agora não posso atender, mas daqui a bocado já mando um toque.
De todas as revistas que existem a FHM é a minha favorita. E a Turbo e uma de cães que agora não me lembro do nome.
Quem me contactou para a revista foi um tal de Mascarenhas, mas ele não explicou tudo bem e eu afinal não apareço na foto grande da capa, só apareço numa página que nem é das de poster! Obrigadinho ó José, hás-de querer vir cá a casa comer uma roupa velha! E depois ainda escreveu umas coisas lá em cima na página que eu não percebo nada e a letra tamanho 4.
Em vez de mim, aparece na capa uma gaja chamada Jéssica, que eu até estou desconfiado que foi uma das que me mandou uma carta amorosa aqui há uns tempos, e agora que vi as fotos, até sou capaz de responder. Acho que estou apaixonado.
Mas agora tenho que ir à casa de banho resolver um problema.
Jorge Daniel (JDDJ)
(belos bagos!)
As gajas amam-me! A prova disso são as cartas de amor que recebo e que a partir de hoje vou partilhar. Para já só meto as menos sexuais.
Hoje deixo aqui uma carta que recebi depois da férias grandes. É de uma gaja chamada Jéssica a dizer que me adora. É mais ou menos.
Finalmente comprámos o mini-ferro de engomar que tanta falta fazia cá em casa.
Ter que passar meias e cuecas com um ferro normal era muito difícil e ficava sempre mal nos vincos. Agora com este mini-ferro até podemos passar bem dentro das meias que ele vai lá mesmo ao fundo. É brutal porque eu às vezes esqueço-me de passar os calções de educação física e assim levo-o no bolso e passo no balneário.
Uma vez tive de passar as cortinas do teatro da escola a ferro porque tinha empurrado sem querer um amigo meu pelas escadas grandes e obrigaram-me a passar a ferro as cortinas do palco. Demorei 4 dias e gastei 40 euros em pilhas mas ficou um bom trabalho.
Quando a minha mãe tem pressa faz bifanas na sertã, e enquanto a parte de baixo está a grelhar mete o ferro por cima e grelha também a outra parte. Às vezes até poupa tempo! Agora com este ferro pequenino não só faz bifanas como também faz bifinhos e ainda passa as panquecas para não ficarem com vincos.
Adoro discotecas e já fui três vezes à Kayene que toda a gente diz que é a melhor discoteca da zona centro. E também há muita gente da zona sul e da zona norte que diz que é a melhor discoteca da zona centro. Os donos também dizem que é a melhor discoteca do país e da zona centro. E para mim, que ainda só estive nesta e na Palace Kiay, é a melhor do país e da zona centro.
O que eu gosto mais na discoteca é das gajas e de beber bebidas e de ver o dj a meter música. Da última vez pedi-lhe para passar a Bongo Song dos Safri Duo e ele não passou, mas disse-me que ia passar na semana seguinte e para eu aparecer. Ele é mesmo fixe e às vezes dá-me o cartão dele para eu lhe ir buscar bebidas. Ele pede sempre vodka com red-bull e eu fico quase sempre com o resto do red-bull sem pagar nada! Na semana passada estive três horas a vê-lo a pôr música no computador e não falhou uma passagem.
Adoro beber até ficar a curtir e o que mais me faz curtir é Pisamg Ambon. É pena é ser caro. Uma vez fui com o meu primo à discoteca e encontrámos um cartão no chão. Andámos a beber Pisamg puro até não poder mais. Acontece que depois foi o meu primo a perder o cartão dele e tivemos de pagar o que tínhamos encontrado no chão. Foram 128 euros e cheguei a casa tão bêbedo que me fui deitar na cama com os meus pais.
Este fim-de-semana fui à Kayene e levei umas canadianas a fingir que andava de canadianas e fui para o centro da pista dançar. Quando a música estava mesmo a rebentar atirei-me para o chão como se me tivessem falhado as muletas. Fiquei no chão a rebolar quase a chorar. Vieram logo três gajas boas mexer-me no corpo e não tivesse eu vontade de ir à casa de banho tinha comido a que quisesse. Uma delas disse que já me andava a ver há muito tempo mas não tinha tido coragem para vir falar comigo. Chamava-se Paula acho eu. Dei-lhe o meu número de telemóvel. Ainda não me ligou, mas eu acho que é por ela ser 96 e eu sou 91.
O que eu não gosto nada nas discotecas é as filas para entrar por isso digo quase sempre que parti um pé há bocado e tenho de ir buscar gelo depressa senão posso perder o pé. Eles deixam logo entrar. Uma vez disse ao porteiro que estava a passar a pior noite da minha vida e que se fosse para casa a noite podia acabar pior. Nem sempre resulta. Mas às vezes digo às gajas que fiz isso e elas ficam loucas e depois dizem que têm que ir à casa de banho.
Também não gosto de ir às casa de banho porque tenho sempre que esperar e depois chego lá e não consigo fazer porque parece que a minha pila está doente. Por isso gosto mais de ir às sanitas, mas uma vez enganei-me e trouxe um copo de mijo que lá estava e eu pensava que era o meu copo de red-bull. E depois fui para ao pé do dj e tive que o beber todinho senão ele pensava que eu era um menino e não bebia tudo. Nunca contei a ninguém.
Uma ocasião vi o meu pai na Kayene mas ele fingiu que não me conheceu. No outro dia perguntei-lhe o que é que ele estava lá a fazer e disse-me que não era ele, que era um amigo dele que ia ao mesmo barbeiro.
A pior coisa que me aconteceu na Kayene foi ter de fazer cocó numa das casas de banho. É que a porta ficava muito longe da sanita e a porta não tinha fechadura, então eu tive de fazer cocó para um monte de papel enquanto segurava a porta. Foi horrível.
Também gosto muito de comer o kebab depois. Peço sempre o especial da casa (que é uma relóte) com molho samurai e molho de alho em pão pita. Às vezes dá-me vómitos mas eu aguento e como tudo na mesma.
Ontem à tarde, enquanto andava à procura de uns preservativos para usar, encontrei um caderno debaixo do colchão do meu avô Micael.
Era o diário do meu avô e que eu agora, não sei se por vingança ou por outra coisa qualquer, scaneei e aqui coloco uma das páginas.
Quando tiver tempo ponho mais.
Se não consegues ler clica na fotografia cigano